Mais do que leite: laticínios pedem uma virada de chave no planejamento

Oct 12, 2026 • 10 min

Acertando na cadeia de suprimentos de laticínios

Otimizar a operação de laticínios exige uma virada de chave: uma visão mais conectada de toda a cadeia de suprimentos do setor e uma nova forma de pensar o processamento, a produção e o planejamento. As empresas precisam olhar além do leite e reunir queijos, cremes, iogurtes, sorvetes, soro de leite e muitas outras linhas de produtos e receitas em uma oportunidade integrada de otimização da cadeia de suprimentos.

Só que não é um setor fácil de otimizar. A complexidade dos ciclos de produção, gerada pela variabilidade da oferta, exige investimentos expressivos em ativos produtivos e um processo de planejamento que considere o curto e o longo prazo. Com frequência demais, esses investimentos e perspectivas ainda são guiados por intuição e conversas, e não por dados e automação.

Para maximizar o lucro e alcançar a eficiência ideal no setor de laticínios de hoje, é hora de tirar de cena os processos excessivamente manuais.

Confiar apenas na experiência humana e em decisões manuais só leva a otimização até certo ponto quando estão em jogo escolhas estratégicas vitais, como a melhor forma de usar o leite cru que continuará chegando e onde é possível extrair mais valor, levando em conta todos os fatores relevantes: capacidade e competências internas, custos de equipamentos e manutenção, mão de obra, demanda dos clientes, o trade-off entre a produção de lácteos frescos e a de leite em pó, a última milha e tudo o que há no meio do caminho.

A IA é a resposta e a solução nesse contexto, mas só se for abordada de forma prática

Nunca é demais destacar a importância de aproveitar a tecnologia que explora todo o potencial da IA para superar a complexidade e maximizar os resultados do negócio. Ainda assim, os líderes devem enxergar a IA como um conjunto de algoritmos e aplicar suas técnicas a problemas específicos, de forma prática, em vez de implementá-la só para não ficar para trás.

Quando esse equilíbrio é alcançado, quem toma as decisões consegue ponderar a capacidade interna junto com gargalos ou oscilações externas e mapear as possíveis consequências de diferentes cenários de negócio, garantindo que a decisão certa seja sempre tomada. E, em um setor em que a oferta não para de chegar, a mentalidade de “acertar sempre” é exatamente o que os laticínios devem buscar.

A diversidade dos laticínios

O que diferencia os laticínios de muitos outros setores é a constância. O leite nunca para de chegar, desde que contratos e relacionamento com os produtores rurais estejam em dia; a oferta é contínua. De um lado, isso traz confiabilidade e consistência. Do outro, não pode levar à acomodação nas etapas seguintes. O objetivo deve ser aproveitar esse ativo contínuo para obter o máximo de lucro, e isso não se resume a entregar a maior quantidade possível de leite fresco aos clientes.

Os produtores de laticínios precisam encarar a matéria-prima que chega como uma enorme oportunidade de otimização, buscar a máxima eficiência e identificar onde é possível extrair mais valor de cada lote recebido.

Tradicionalmente, boa parte do foco da “otimização” esteve em simplesmente usar todo o volume inicial recebido. Essa mentalidade precisa mudar para o uso do ativo como um todo, filtrando, armazenando, adaptando, produzindo e vendendo da forma mais econômica e rentável possível.

Essa mudança de foco revela outra frente de variabilidade e diversidade: os laticínios vão muito além do leite. Embora as atenções costumem girar em torno dele, há muitos outros caminhos a explorar para maximizar as oportunidades de receita e aproveitar da melhor forma tudo o que chega à sua porta.

Quando você amplia a abordagem para além do leite em si e passa a considerar também produtos congelados, produtos de maior vida útil ou categorias ainda mais especializadas, como o soro de leite, fica mais claro por que é preciso um planejamento mais avançado. O leite em pó, por exemplo, é uma saída óbvia, com enorme demanda global, mas montar sua linha de produção é caro.

A definição da infraestrutura — linhas de envase e tanques de incubação — soma-se à necessidade de incluir certos aditivos ou corantes ao longo do processo, conforme o produto. É preciso ainda considerar os equipamentos, as máquinas e a mão de obra necessários para atender a esses elementos variados. As rotas de transporte, sobretudo quando entramos no universo da cadeia de frio, também exigem atenção.

Assim que você vai além do leite, o que a maioria precisa fazer para otimizar o uso da matéria-prima, toda a operação se torna muito mais complexa. Nesse ponto, o instinto, a experiência acumulada e os vieses intuitivos passam a trabalhar contra a busca por eficiência máxima e valor máximo.
Todo esse espectro dos laticínios só pode ser dominado com visibilidade de ponta a ponta e planejamento avançado. Isso não significa que todos os produtores devam explorar todos os caminhos de produto. Longe disso — com mais visibilidade, insights e planejamento de cenários futuros, é possível apresentar a melhor proposta de valor, junto com um plano para concretizá-la da melhor forma.

Superando as armadilhas do planejamento tradicional

A McKinsey perguntou recentemente a executivos do setor de laticínios quais eram suas prioridades daqui para frente. Mais da metade (53%) destacou a necessidade de fortalecer o propósito corporativo perante os stakeholders. Logo atrás vieram o desejo de implementar iniciativas de redução de custos e de eficiência (50%) e de entrar em novas categorias, mercados e regiões (45%). Ironicamente, apenas 39% disseram que aumentar a resiliência da cadeia de suprimentos era uma prioridade.

Otimizar a cadeia de suprimentos de laticínios com planejamento e tomada de decisão digitalizados integraria de forma muito mais fluida as três principais preocupações.

Para entender onde os produtores de laticínios devem concentrar seus esforços para alcançar esses objetivos, é importante saber onde estão os riscos para quem ainda não conectou todos os fatores relevantes em um único sistema central.

Esses riscos podem ser divididos em três áreas:

Os times de vendas tendem a se apegar a um status quo em que a previsão segue o próprio viés — para ao menos atingir, mas idealmente superar, as metas de vendas. O problema dessa abordagem é que prever com base no que é preciso vender não equivale ao que provavelmente será vendido. Tudo o que fica no meio, do lado da produção, acaba distorcido.

É aqui que entram os riscos para o planejamento operacional. Mix de produtos, formação de estoque, setups de linha, trocas de produto, utilização de tanques: tudo será calibrado para um nível de demanda que um departamento isolado espera alcançar, e não para uma probabilidade quantitativa. Sob a ótica da maximização de receita, essa diferença de demanda também afeta promoções e remarcações de custo. Quando fica claro que a absorção do mercado difere da demanda prevista, surge a urgência de garantir a liquidação reduzindo preços ou lançando promoções cedo demais. Os itens até saem das gôndolas, mas a que custo?

O time de produção também precisa tentar entender as implicações do plano de demanda do ponto de vista da oferta. Porém, como isso costuma ser analisado apenas uma semana, ou às vezes até um dia, antes da execução, sobra pouco tempo para corrigir as lacunas entre a oferta e essa demanda esperada (na prática, presumida). O efeito segue então para o planejamento de suprimentos: o time de suprimentos, responsável pelos contratos, mas também atento às oscilações sazonais, às variáveis climáticas e à produtividade das fazendas, passa a traduzir uma noção imprecisa de demanda antes mesmo de o processo começar.

Da mesma forma, o planejamento de suprimentos também fica comprometido quando operações e produção precisam se desviar do plano de demanda original. Tudo o que foi definido em termos de volumes de carga, proporções da cadeia de frio, vida útil, estoque e prazos previstos de distribuição pode mudar assim que se descobre que a previsão manual de demanda estava incorreta.

Trabalhar com intuição em vez de fatos expõe a natureza fragmentada de muitas operações de laticínios, o que não só cria um ambiente de trabalho estressante e conflituoso, como também desperdiça insumos valiosos e dinheiro.

 

Otimização matemática: o plano de ação da IA

A resposta é reunir todas essas frentes e seus respectivos dados em um único sistema.

Tudo o que contribui para a noção final de “otimização” (os departamentos, a demanda dos clientes, os fatores externos, os volumes de oferta, a capacidade de transporte, as categorias de produtos, as capacidades de máquinas e turnos, os preços associados e os melhores momentos para remarcar e promover) precisa ser reunido em uma única fonte da verdade. Essa visão holística, que derruba silos e vieses e revela oportunidades de gerar valor, também resultará em um nível de agilidade que fortalece o posicionamento da empresa, reduz custos, torna as operações mais eficientes e abre caminho para novas categorias, mercados e regiões.

Nesse sentido, a verdadeira otimização da cadeia de suprimentos talvez possa ser descrita com mais precisão como otimização matemática.

O modelo é uma das frentes do ecossistema de IA, com capacidade de avaliar simultaneamente todas as opções viáveis para chegar ao caminho mais lucrativo. Ele convive com ML para previsões de promoções e de demanda, heurísticas para alinhar planos e minimizar perdas de eficiência e IA Generativa, que ainda está nos primeiros passos. No contexto dos laticínios em particular, a otimização matemática pode ser a base de todas as decisões de produção e operação, assim que os elementos de oferta, capacidade, demanda, disrupção e custo forem todos, de fato, compreendidos.

Para o planejador, isso está longe de ser uma ameaça ou um esvaziamento do seu papel. Pelo contrário, ele ganha mais tempo para tratar as exceções e definir os objetivos desejados dos quais o sistema se alimenta. Também ganha mais antecedência para enxergar possíveis problemas, que podem ser comunicados a todos os parceiros e departamentos. O sistema exige muito pouca intervenção do planejador, embora configurações manuais sejam possíveis.

Com a maior velocidade dos algoritmos de otimização, é possível rodar vários cenários hipotéticos com o apoio de um gêmeo digital, garantindo que regras de negócio, custos e restrições estejam sempre atualizados. De modo geral, a otimização matemática permite que a área de planejamento seja mais estratégica e contribua de forma mais coordenada para as prioridades de negócio citadas acima.

Uma mudança dessa dimensão, operacional, de negócio e cultural, pode ser intimidadora. Ainda assim, a modularidade é um dos maiores benefícios de uma jornada de otimização matemática na cadeia de suprimentos. É verdade que o objetivo final é ter todos os serviços e funções alimentando o sistema, para que todos os cantos do negócio sejam considerados e analisados de forma integrada. Mas, na prática, será uma evolução gradual, para minimizar riscos e custos, guiada por uma agenda de priorização na qual nós, da RELEX, podemos ajudar.

Evoluindo com o planejamento da cadeia de suprimentos de laticínios da RELEX

A RELEX costuma recomendar que as empresas comecem essa jornada de otimização pelo master planning, em especial pelo planejamento de produção. O planejamento de produção — que envolve otimizar o uso dos tanques de incubação, gerenciar produtos em fim de vida útil ou próximos do vencimento, decidir quando migrar para produtos de maior durabilidade e saber como e quando adaptar receitas à demanda, sem perder a rentabilidade — é a frente mais importante de toda a jornada e pode definir o tom da solução final que os operadores de laticínios devem buscar agora.

A RELEX é uma das poucas inovadoras no universo da cadeia de suprimentos capazes de enfrentar todos os desafios típicos de setores específicos de alimentos e bebidas. Não generalizamos. Tratamos os laticínios como um setor à parte, com desafios e oportunidades únicos.

Se você procura exemplos de como direcionamos nossas soluções para desafios específicos, basta olhar para a cadeia de frio. Mais do que qualquer outro fator, ela resume a complexidade e a diversidade dos laticínios. Manter a integridade da cadeia de frio é essencial para preservar a qualidade e a segurança de todos os produtos lácteos, desde o recebimento e a coleta até o momento em que chegam às mãos do consumidor.

A quantidade de ambientes com temperatura controlada pelos quais qualquer produto lácteo precisa passar faz do perecimento, da redução da vida útil e dos riscos à saúde perigos muito reais. Por isso, nossa ferramenta de otimização reúne métricas de armazenagem, transporte, embalagem, monitoramento e controle de temperatura e processos de manuseio, tudo para garantir a entrega mais eficiente de um produto final saudável.

Outro desafio especializado que a RELEX tem se empenhado em resolver é a gestão de tanques. Os produtores costumam ter um número limitado de tanques, o que pode restringir a capacidade de produção. Coordenar o momento de cada lote com a disponibilidade e a capacidade produtiva é essencial para evitar atrasos ou a perda de lotes. Essa gestão fica ainda mais complexa com um produto como o iogurte, já que o tanque inteiro precisa ser dedicado a esse único fim antes de ser reiniciado.

Além disso, se a linha de embalagem não está pronta quando o tanque de incubação está, a empresa não só desperdiça capacidade, como também compromete o plano e a programação como um todo. A RELEX ajuda a modelar os tanques como recursos usados nas estruturas de produto, reconhecendo e se preparando para o fato de que eles só podem ser reutilizados depois de esvaziados, limpos e reconfigurados, e alinhando essa capacidade conhecida ao processo de embalagem seguinte. Se isso acontece ou não tão rápido quanto você gostaria é secundário. Conhecer os lead times reais ao longo do processo permite que os planejadores façam o que fazem de melhor: planejar.

Sincronizar as etapas de produção, se adaptar à variabilidade da oferta, otimizar a embalagem de produtos como o iogurte e até introduzir tanques móveis são outros desafios específicos dos laticínios com os quais vimos operadores terem dificuldade ao longo de nossa própria jornada pelo setor.

O resultado é uma plataforma única para enfrentar esses gargalos e transformá-los em eficiência otimizada e oportunidades de receita.

Uma virada de chave no setor

Laticínios são muito mais do que leite. O leite sempre vai chegar, mas otimizar o seu uso é outra história. Decidir manualmente quais produtos priorizar e para quais migrar, como dominar a operação e a produção, que demanda atender e a quais preços e como se preparar para a oferta futura deixa armadilhas demais pelo caminho. Isso vai contra o objetivo final de gerar o mix de produtos mais lucrativo a partir da oferta disponível, da forma mais eficiente possível.

Hoje existe uma solução capaz de integrar todos esses elementos internos e externos, e que faz isso por meio de um modelo de otimização matemática que dará mais segurança aos seus planejadores e à sua cadeia de suprimentos como um todo. Saiba mais sobre como a RELEX está ajudando o setor de laticínios a aproveitar grandes oportunidades comerciais, ampliar a diversificação e ganhar eficiência e lucratividade.

Escrito por

Erik Sandberg

Consultor Estratégico de Soluções CPG e Indústria

Erik Sandberg é Consultor Estratégico de Soluções na RELEX Solutions, especializado em CPG e indústria. Tem mais de 20 anos de experiência em planejamento da cadeia de suprimentos e em soluções de software corporativo.

Niklas Billgren

Consultor de Soluções Sênior - CPG e Indústria

Niklas Billgren é Consultor de Soluções Sênior e Líder de Time na RELEX Solutions, com base em Estocolmo, na Suécia. Tem mais de seis anos de experiência em consultoria de cadeia de suprimentos, com foco em master planning, gestão de estoque e integrações de ERP para clientes da indústria.

Christer Liden

VP APAC, Consumer Packaged Goods & Manufacturing

Christer Liden é Vice-Presidente de Estratégia de Indústria APAC na RELEX Solutions. Ele tem mais de 25 anos de experiência em cadeia de suprimentos na Europa, na América do Norte e na Austrália, com especialização em planejamento integrado de negócios e otimização da cadeia de suprimentos para os setores de bens de consumo e produção.